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Sonolência excessiva pode ser sintoma de narcolepsia


Sentir sono durante o dia depois de uma noite mal dormida é bastante comum. Porém, quando a sonolência passa a ser excessiva, mesmo quando a qualidade e a quantidade de sono durante a noite estão adequadas, pode ser sinal de uma doença bastante rara, a narcolepsia, que afeta entre 2 a 18 pessoas a cada 10 mil habitantes no mundo. Pessoas com narcolepsia adormecem a qualquer momento, em qualquer lugar e a qualquer hora, até mesmo em situações inusitadas, como durante uma conversa, uma refeição ou na fila do banco. Em geral, esses ataques frequentes e repentinos de sono duram de alguns minutos a cerca de meia hora.


As causas da doença não são conhecidas. Segundo o dr. Lúcio Huebra, neurologista no Hospital Sírio-Libanês, genética e processos inflamatórios podem ser os principais fatores de risco para a narcolepsia. A pessoa, quando exposta a algum tipo de infecção ou vacinação, tem o sistema imunológico ativado, desenvolvendo células de defesa contra um grupo de neurônios específicos de uma região cerebral conhecida como hipotálamo lateral.


“Esses neurônios produzem uma substância denominada ‘hipocretina’, que é responsável pelo despertar e pela estabilidade das fases do sono. Com a queda da hipocretina, devido aos neurônios terem sido danificados, as pessoas ficam suscetíveis a uma maior sonolência e à instabilidade do sono, sobretudo no período do sono REM [do inglês rapid eye movement; em português, movimento rápido dos olhos].”


Quais os tipos de narcolepsia?


A narcolepsia pode ser classificada em dois tipos: 1 e 2. Na narcolepsia tipo 1 são observados níveis baixos da hipocretina no liquor, líquido que recobre o cérebro. Já na narcolepsia tipo 2, a causa ainda permanece pouco definida porque o indivíduo apresenta quantidades normais de hipocretina, apesar da sonolência excessiva.


Além disso, existem pacientes que desenvolvem a narcolepsia em decorrência de outras doenças neurológicas, sobretudo quando há lesão, seja tumoral, seja inflamatória, na região do hipotálamo lateral.


Essa doença é mais comum em pessoas jovens e costuma surgir ainda na adolescência, por volta dos 15 anos de idade, ou mais tarde, por volta dos 35 anos, e afeta homens e mulheres. A maior ocorrência nessa faixa etária corrobora a teoria de uma doença autoimune.


Sintomas da narcolepsia


O principal sintoma da narcolepsia é a sonolência, principalmente em situações monótonas. “A pessoa se sente descansada após pequenos cochilos, sensação que dura até que ocorra um novo ataque de sono”, explica o dr. Huebra.


Outro sintoma comum, que acomete cerca de 65% dos pacientes, é a cataplexia, uma fraqueza muscular transitória que pode ser tão intensa a ponto de derrubar o indivíduo no chão. Geralmente ela é desencadeada por uma reação emocional exagerada, como medo, raiva, estresse, excitação e, com mais frequência, pelo riso, e dura alguns minutos. A cataplexia se manifesta de diversas maneiras. A pessoa pode cair ao solo ou sentir uma leve moleza no braço ou no pescoço, por exemplo, mas sempre permanece acordada.


Outros sintomas são comuns, como fragmentação do sono, com vários despertares, alucinações próximas ao horário de dormir ou ao acordar e a paralisia do sono. A paralisia ocorre na transição para o sono ou logo ao despertar, quando o indivíduo sente total incapacidade de se mover ou falar, mesmo estando completamente acordado. Não há razões claras que expliquem por que a paralisia ocorre.


Diagnóstico e prevenção da narcolepsia


Por se tratar de uma doença provavelmente relacionada à predisposição genética, não há cura nem prevenção para a narcolepsia. O diagnóstico é feito por meio do histórico clínico do paciente e pela exclusão de fatores que podem confundir a narcolepsia com problemas como privação e apneia do sono.


A doença é confirmada por um exame de monitoração do sono chamado teste de múltiplas latências do sono. Esse exame determina a facilidade de iniciar o sono em cinco horários diferentes ao longo do dia e o surgimento precoce da fase do sono REM.


A análise do liquor através de punção lombar com dosagem de hipocretina, apesar de também ser um teste capaz de confirmar a doença, ainda é pouco utilizada para diagnosticar a doença.


Tratamento da narcolepsia


O tratamento da narcolepsia tem como objetivo manter os sintomas da doença sob controle. O paciente pode fazer uso de estimulantes, que agem sobre a sonolência diurna, associados a antidepressivos, que agem sobre a cataplexia, a paralisia do sono e as alucinações.


Quando não é tratada, a narcolepsia pode gerar impacto social, profissional e isolamento afetivo, além da possibilidade de acidentes graves devido à sonolência excessiva que a pessoa pode sentir enquanto está dirigindo, cozinhando, trabalhando com máquinas pesadas ou praticando esportes. “A doença não tem cura, mas deve ser tratada”, ressalta o dr. Huebra.


Fonte: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br

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